SOROCABA E REGIÃO

Disciplinas são consideradas as mais difíceis

Ana Paula Yabiku Gonçalves
ana.goncalves@jcruzeiro.com.br
programa de estágio

É fato comprovado que números, fórmulas, equações e problemas matemáticos embaralham a cabeça dos alunos desde os primeiros anos de estudo. Para muitos, matemática e ciências são consideradas áreas mais complexas, confusas e detalhistas do que, por exemplo, história ou língua portuguesa. Uma pesquisa realizada pelo site Seu Professor - que oferece reforço escolar virtual para mais de 30 mil estudantes - comprovou que matemática e física são responsáveis por 60% das dúvidas dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. De acordo com o site, as duas disciplinas foram as que mais movimentaram acessos de conteúdos e explicações de exercícios nos últimos seis meses. Para a professora de matemática dos Colégios Uirapuru e Ser e da rede pública estadual, Kátia Regina, geralmente os alunos têm uma visão distorcida das disciplinas e não conseguem associar o ensino ao seu cotidiano. "Alguns alunos só enxergam um aglomerado de fórmulas e cálculos que não fazem sentido algum", explica.

Durante o Ensino Fundamental, a matemática corresponde a 60% das dificuldades dos alunos. As ciências representam 20%, português 10% e os outros 10% dividem-se entre história e geografia. Já no Ensino Médio, 35% das dúvidas são de física, seguida de perto pela matemática, com 30%. Português e química geram, ambas, 10% dos acessos. Os outros 15% correspondem a biologia, história e geografia. Estes resultados foram motivados por dois fatores, de acordo com o diretor pedagógico do site, Gabriel Costa. "Além de demandarem cálculos mais complicados, é mais difícil obter explicações sobre matemática e física na internet. Para história e geografia, por exemplo, há almanaques virtuais e físicos que auxiliam o aluno", conta. Para ele, 30% dos estudantes de uma sala de aula presencial não conseguem absorver totalmente o conteúdo ministrado em 50 minutos.

A matemática sempre foi uma disciplina que desperta pouca simpatia em grande parte das pessoas. De acordo com o professor dos cursos de Engenharia de Produção, Matemática e Licenciatura de Matemática da Ufscar de Sorocaba, Geraldo Pompeu Junior, isso acontece porque além de mal ensinada, a matemática que os alunos aprendem não é realmente matemática. Para ele, as pessoas têm mais afinidade com aquilo que lhes é mostrado de forma prazerosa, que traz algum tipo de satisfação. Além disto, "fazer contas ou trabalhar com expressões numéricas sem sentido é apenas uma parte da matemática", explica. Já a física, adotou a matemática como sua ferramenta de estudo há mais de dois séculos, o que também explica a grande dificuldade dos alunos.

Geraldo acredita que a principal causa do problema seja a falta de bons professores das disciplinas. Em quase 90% dos casos, diz, os profissionais carecem de formações complementares, como didática, metodologia de ensino e até psicologia. Para ele, a baixa qualidade de muitos professores deve-se, principalmente, às universidades que nunca se preocuparam em incentivá-los. "Faltam em torno de 500 mil professores de matemática no País, tem emprego para quem quiser, basta se esforçar", continua. Além disto, o tempo fora da sala de aula é muito pequeno para que os profissionais possam preparar as aulas, fazer correções e estudar os conteúdos programados.

Para poder sobreviver, eles precisam trabalhar entre 40 e 50 horas semanais. Apesar do esforço, explica Geraldo, falta conhecimento, base, treinamento e apoio aos professores. Melhores salários e, principalmente, um maior número de especializações e cursos de aperfeiçoamento contribuiriam para que eles deixassem de cometer erros matemáticos dentro da sala de aula e atraíssem um número maior de alunos interessados.

Perante a escola e a vida

Na hora da dificuldade, o estudante não pode desanimar. É preciso adquirir o hábito de estudar sistematicamente, reservar um tempo para rever as disciplinas por si próprio e não desistir no primeiro tropeço. "Quando não consigo resolver um exercício, eu fico sem dormir pois aquilo me satisfaz", conta Geraldo. Outra grande deficiência a ser corrigida é a leitura. Ler, escrever e interpretar é essencial para resolver questões matemáticas. Para Kátia, o aluno também precisa perder o medo de errar. "O erro faz parte do aprendizado. Existem vários meios de se chegar numa resolução matemática, mas só atingimos este objetivo através de várias tentativas", diz.

Se o estudante tiver um pouco de habilidade em matemática, segundo Geraldo, vai conseguir enxergar as situações cotidianas de maneira diferente e, assim, sobreviver um pouco melhor ao mundo. "Para estudar matemática hoje, é preciso apenas uma sala, papel, alguns livros e um computador", explica. E um ambiente de estudo significa desligar o rádio e a televisão e não apoiar o caderno sobre os joelhos. Para ele, não é necessário saber se as fórmulas e equações desenvolvidas serão úteis um dia. Cerca de 99% de tudo o que se descobre na matemática não tem aplicação nenhuma no mundo atual.

Aos pais, cabe ficar mais próximo do filho, verificar se tem algo acontecendo a ele na escola e estar sempre atento ao seu comportamento. Devem estar presentes na vida escolar dele e ir às reuniões para discutir seu desempenho com os professores. Estes precisam entender as dificuldades dos alunos e, quando preciso, procurar auxiliá-los. O estudante encontrará ajuda nas aulas de reforço - disponibilizadas pela própria escola -, sites que tiram dúvidas e até com professores particulares. Além disto, Kátia acredita que os professores deveriam promover a interdisciplinaridade, uma vez que os alunos precisam compreender que as diferentes áreas estão associadas e caminhando juntas.

"Quanto mais próximos a escola, os pais e os alunos, menor a possibilidade de algo grave acontecer", diz Geraldo. Para ele, cada um deve fazer a sua parte e exigir que o outro cumpra com as suas responsabilidades. É função dos pais, segundo Kátia, cobrar a postura adequada e responsabilidade dos filhos não só perante a escola mas, principalmente, perante a vida. (Supervisão: Helena Gozzano)